sábado, 2 de junho de 2007

...

sinto tudo em poros
puro purifica
fica

sinto cuido
tudo

quanto em cada tudo
quanto
cabe

terno

perto

me alimentei de um pedaço de carne
de cheiro mal
comi com pressa

mastiguei cada parte
me lembrei do asco e podre

estou de frente
embriagada
desmascarada

sozinha no que me tenho

danço

medo e desejo
reconhecer-se na experiência
seres de ajuda
lua de resgate

dançar dentro

meu movimento descansa
e pulsa

*

UM PINGO DE OURO
não paro de pensar
penso
não paro de imaginar
fico criando coisas
e mais e mais
e mais
coisas

pessoas de todas as horas
em todas as horas diferentes

estarei lá naquele lugar

fontes

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaaaaaaaaaaaaaaaaa

quarta-feira, 2 de maio de 2007

lá em cima

hoje a lua está cheia
amanhã mais

hoje meu canto desdobra
serpente colorida e esmagadora

sorrio de fora para dentro
me embrulho nos cantos

hoje meu canto continua
me sinto pequena

sereinha do mar
aproveita a lua e vai nadar

amanhã a estrela brilha outra coisa
aproveita agora e vai!

sexta-feira, 27 de abril de 2007

abraça

foi bom ver ontem meu pouco de encontro
pensar em demasiado o muito e ver de perto uma boca calada, sem ouvir
formular sem sentir, organizar demais
por aqui me venham leves asas
pra que eu possa chegar lá num lugarzinho escondido e alto
num cheiro colorido
mais um abraço antes de dormir
mais um frescor sai da pele
vontade de ser céu
vamos dançar devagar e depois ouvir a música
vamos pular para o centro
e em saltos, tamancos, atiraremos ouro na própria respiração
sentiremos pulsar
mais brando e calmo

sexta-feira, 16 de março de 2007

assim

tenho pensado que tudo em redor é muito menos e tudo dentro é muito mais
precisamos de tempo
de olhar o vermelho de uma flor
sentir seu amargo sangue
seu fluir de veia

depois o verde
depois o azul

e na calma descobrir baixinho
mesmo que seja pra chorar
um aconchego em si mesmo
da generosidade de voltar-se em si
dentro de todas as sua cores

lá dentro no esconderijo secreto de tudo que não queremos ver nem tocar
porque não se toca com as mãos
nem com os pés
lá está

uma nuvem primeiro
cheia de bolinhas de água
cheia de branco
e mais água até cair

gotas pesadas
umidade em respirar
banho banho

continua em busca
passa o trovão
depois vem o raio
e a impressão é que desta não dá para escapar

mas chega o sono
o cansaço
e caimos juntos com as gotas, juntos com a noite e o escuro

no fundo de tudo
não dá para evitar ou parar
não dá para escapar
do que acontece
da lua e suas fases

fica um dia novo pra viver
já que nele tudo pode acontecer
e não tem outro jeito

então
já que nos resta o tango argentino e o samba e o côco e todos os sons
vamos dançar
na música da verdade do que se sente e quer

mais amor, poesia, música
mais verdade, carinho
mais sentir abraços
em afetos do agora

.

aprendiz de ser cada instante um novo
em nova jornada
tantas intensas

deito os pés sobre este chão
mergulho em almas
suspiro em brancos
me encanta o canto
de ventar

quarta-feira, 7 de março de 2007

comigo

meus pais,
mal sabem o quanto custa a mim também
vê-los como a mim vejo

como?
acho que meu pai perguntaria

assim papai, mais humanos

mais próxima das suas e minhas
dessas dores
que nos fazem o que somos

tenho pensado alto
tão alto às vezes
que se transforma em palavra

ecoam em lúcidas memórias
transformadas dos tempos
dessas que mamãe vem aproximar
nas suas buscas

cheias de cheiro
velho e novo
cheiro desse perfume
desse sentir

amor incondicional

terça-feira, 6 de março de 2007

saudade

na hora de ir embora
ficaram os temperos usados

pedi tanto, demais
com os olhos, o corpo e o paladar

e assim foi
e aqui fica
um aroma apimentado,
adocicado

dos laços dados
tempo bom de viver e lembrar

agora o vejo de ida
aquele que quando aparece
vem bem florido e cheiroso

dar as boas vindas
a um novo que somos
e aos antigos e os mesmos
do que sempre seremos

aparece mandando abraços
dizendo como são bons os tempos
neles o vento sopra alto

bem alto
até as montanhas

segunda-feira, 5 de março de 2007

socorro

não adianta gritar

somos todos assim
frágeis

somos todos
encontrar-se na solidão
olhar-se humanamente

ponto de partida
para que em essência
descubra aquela generosidade
ao sol
ao outro

assim como
para si mesmo

sonho

é sua prórpia vontade de sonhar
é a vontade do orvalho
de um gozo demorado

não tem medida
ou forma ou definição
é apenas uma parte
de alguma coisa
bem grande

que é sonho
o mesmo

é um divagador
e quando especial, fica
respira junto

traz naquilo que pode tatear
a rochosidade das texturas
em que tocamos
Mover-se
em nada, deslocada
Nadar em água
Levando-se
Lavando-se
enlamaçada

Sentir-se em pranto desta sede
Um novo arder
Lacrimejando o próprio sal
E saliva

Escapa um pouco, rouco
Meu nado, desejo
E querer um não olhar
fugir daquele medo
Desejo

Formigação da pele
em troca de escamas

Cheiro de pimenta arde
Embalado em cor e música
Embalados de nós
Tão sós, tão juntos

Em poucos, muitos
Em todo corpo e pouca voz
Suores na noite
Luares, lua
Frios calafrios
Quente muito quente

O sol está vermelho
latente

lado

Meus pés, passos
mal dados ou não
caminham

Procuro esses mesmos
E por onde seguir sem os teus
Aqui, do lado

Procuro um pé, uma perna, um corpo
Que não sejam os meus
desconhecidos e
desencontrados

vai assim
assim como quem busca
bons e largos passos
que vai de um lado ao outro
mais rápido do que queremos esperar

Procurar a estradinha
Do passinho manso
Daquela cadeira antiga da vovó
De balanço

busca, corre lá

Passa para próxima viagem
de montanha e espaço

O meio, o dentro
um percorrer sedento
de um encontro caminhada
meu amor, minha morada

maçã

Poderia falar de tudo em tantas vozes
Seria mil outras, mil umas, seria tão várias quanto realmente sou
Falaria em demasia do amor que guardo tanto e sempre
falaria daquela pequena maçã
de ser mordida, saboreada de dentro pra fora do vermelho ao branco

Sairia correndo pelas ruas gritando pelo ardente pulsar
viajaria em estradas de curvas perigosas, tocaria todas as crianças e instrumentos,
daria pulos

Passaria a chuva
Que limpa
desliza, engasga, afasta e traz
para aqui uma nova possibilidade
Ser qualquer uma, qualquer sua, ser todas e nenhuma

estrelas correndo das nuvens desavisadas
do trovão e trovoada
de uma espera e fé
em cada esquina povoada

Vamos então vamos correr
vamos ouvir, olhar, gostar o viver
Aquilo que pode ou não
Apenas aquilo que é
Agora

um agora percorrido e desejado
um broto bruto em busca de sol e semente
em busca de nós, todos nós em nós
emaranhados

eu em busca de mim

gerar

céu sol lua
oceano
banho mar
banha rio
na maré das estrelas