sexta-feira, 16 de março de 2007

assim

tenho pensado que tudo em redor é muito menos e tudo dentro é muito mais
precisamos de tempo
de olhar o vermelho de uma flor
sentir seu amargo sangue
seu fluir de veia

depois o verde
depois o azul

e na calma descobrir baixinho
mesmo que seja pra chorar
um aconchego em si mesmo
da generosidade de voltar-se em si
dentro de todas as sua cores

lá dentro no esconderijo secreto de tudo que não queremos ver nem tocar
porque não se toca com as mãos
nem com os pés
lá está

uma nuvem primeiro
cheia de bolinhas de água
cheia de branco
e mais água até cair

gotas pesadas
umidade em respirar
banho banho

continua em busca
passa o trovão
depois vem o raio
e a impressão é que desta não dá para escapar

mas chega o sono
o cansaço
e caimos juntos com as gotas, juntos com a noite e o escuro

no fundo de tudo
não dá para evitar ou parar
não dá para escapar
do que acontece
da lua e suas fases

fica um dia novo pra viver
já que nele tudo pode acontecer
e não tem outro jeito

então
já que nos resta o tango argentino e o samba e o côco e todos os sons
vamos dançar
na música da verdade do que se sente e quer

mais amor, poesia, música
mais verdade, carinho
mais sentir abraços
em afetos do agora

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