Poderia falar de tudo em tantas vozes
Seria mil outras, mil umas, seria tão várias quanto realmente sou
Falaria em demasia do amor que guardo tanto e sempre
falaria daquela pequena maçã
de ser mordida, saboreada de dentro pra fora do vermelho ao branco
Sairia correndo pelas ruas gritando pelo ardente pulsar
viajaria em estradas de curvas perigosas, tocaria todas as crianças e instrumentos,
daria pulos
Passaria a chuva
Que limpa
desliza, engasga, afasta e traz
para aqui uma nova possibilidade
Ser qualquer uma, qualquer sua, ser todas e nenhuma
estrelas correndo das nuvens desavisadas
do trovão e trovoada
de uma espera e fé
em cada esquina povoada
Vamos então vamos correr
vamos ouvir, olhar, gostar o viver
Aquilo que pode ou não
Apenas aquilo que é
Agora
um agora percorrido e desejado
um broto bruto em busca de sol e semente
em busca de nós, todos nós em nós
emaranhados
eu em busca de mim
segunda-feira, 5 de março de 2007
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