tenho pensado que tudo em redor é muito menos e tudo dentro é muito mais
precisamos de tempo
de olhar o vermelho de uma flor
sentir seu amargo sangue
seu fluir de veia
depois o verde
depois o azul
e na calma descobrir baixinho
mesmo que seja pra chorar
um aconchego em si mesmo
da generosidade de voltar-se em si
dentro de todas as sua cores
lá dentro no esconderijo secreto de tudo que não queremos ver nem tocar
porque não se toca com as mãos
nem com os pés
lá está
uma nuvem primeiro
cheia de bolinhas de água
cheia de branco
e mais água até cair
gotas pesadas
umidade em respirar
banho banho
continua em busca
passa o trovão
depois vem o raio
e a impressão é que desta não dá para escapar
mas chega o sono
o cansaço
e caimos juntos com as gotas, juntos com a noite e o escuro
no fundo de tudo
não dá para evitar ou parar
não dá para escapar
do que acontece
da lua e suas fases
fica um dia novo pra viver
já que nele tudo pode acontecer
e não tem outro jeito
então
já que nos resta o tango argentino e o samba e o côco e todos os sons
vamos dançar
na música da verdade do que se sente e quer
mais amor, poesia, música
mais verdade, carinho
mais sentir abraços
em afetos do agora
sexta-feira, 16 de março de 2007
.
aprendiz de ser cada instante um novo
em nova jornada
tantas intensas
deito os pés sobre este chão
mergulho em almas
suspiro em brancos
me encanta o canto
de ventar
em nova jornada
tantas intensas
deito os pés sobre este chão
mergulho em almas
suspiro em brancos
me encanta o canto
de ventar
quarta-feira, 7 de março de 2007
comigo
meus pais,
mal sabem o quanto custa a mim também
vê-los como a mim vejo
como?
acho que meu pai perguntaria
assim papai, mais humanos
mais próxima das suas e minhas
dessas dores
que nos fazem o que somos
tenho pensado alto
tão alto às vezes
que se transforma em palavra
ecoam em lúcidas memórias
transformadas dos tempos
dessas que mamãe vem aproximar
nas suas buscas
cheias de cheiro
velho e novo
cheiro desse perfume
desse sentir
amor incondicional
mal sabem o quanto custa a mim também
vê-los como a mim vejo
como?
acho que meu pai perguntaria
assim papai, mais humanos
mais próxima das suas e minhas
dessas dores
que nos fazem o que somos
tenho pensado alto
tão alto às vezes
que se transforma em palavra
ecoam em lúcidas memórias
transformadas dos tempos
dessas que mamãe vem aproximar
nas suas buscas
cheias de cheiro
velho e novo
cheiro desse perfume
desse sentir
amor incondicional
terça-feira, 6 de março de 2007
saudade
na hora de ir embora
ficaram os temperos usados
pedi tanto, demais
com os olhos, o corpo e o paladar
e assim foi
e aqui fica
um aroma apimentado,
adocicado
dos laços dados
tempo bom de viver e lembrar
agora o vejo de ida
aquele que quando aparece
vem bem florido e cheiroso
dar as boas vindas
a um novo que somos
e aos antigos e os mesmos
do que sempre seremos
aparece mandando abraços
dizendo como são bons os tempos
neles o vento sopra alto
bem alto
até as montanhas
ficaram os temperos usados
pedi tanto, demais
com os olhos, o corpo e o paladar
e assim foi
e aqui fica
um aroma apimentado,
adocicado
dos laços dados
tempo bom de viver e lembrar
agora o vejo de ida
aquele que quando aparece
vem bem florido e cheiroso
dar as boas vindas
a um novo que somos
e aos antigos e os mesmos
do que sempre seremos
aparece mandando abraços
dizendo como são bons os tempos
neles o vento sopra alto
bem alto
até as montanhas
segunda-feira, 5 de março de 2007
socorro
não adianta gritar
somos todos assim
frágeis
somos todos
encontrar-se na solidão
olhar-se humanamente
ponto de partida
para que em essência
descubra aquela generosidade
ao sol
ao outro
assim como
para si mesmo
somos todos assim
frágeis
somos todos
encontrar-se na solidão
olhar-se humanamente
ponto de partida
para que em essência
descubra aquela generosidade
ao sol
ao outro
assim como
para si mesmo
sonho
é sua prórpia vontade de sonhar
é a vontade do orvalho
de um gozo demorado
não tem medida
ou forma ou definição
é apenas uma parte
de alguma coisa
bem grande
que é sonho
o mesmo
é um divagador
e quando especial, fica
respira junto
traz naquilo que pode tatear
a rochosidade das texturas
em que tocamos
é a vontade do orvalho
de um gozo demorado
não tem medida
ou forma ou definição
é apenas uma parte
de alguma coisa
bem grande
que é sonho
o mesmo
é um divagador
e quando especial, fica
respira junto
traz naquilo que pode tatear
a rochosidade das texturas
em que tocamos
Mover-se
em nada, deslocada
Nadar em água
Levando-se
Lavando-se
enlamaçada
Sentir-se em pranto desta sede
Um novo arder
Lacrimejando o próprio sal
E saliva
Escapa um pouco, rouco
Meu nado, desejo
E querer um não olhar
fugir daquele medo
Desejo
Formigação da pele
em troca de escamas
Cheiro de pimenta arde
Embalado em cor e música
Embalados de nós
Tão sós, tão juntos
Em poucos, muitos
Em todo corpo e pouca voz
Suores na noite
Luares, lua
Frios calafrios
Quente muito quente
O sol está vermelho
latente
em nada, deslocada
Nadar em água
Levando-se
Lavando-se
enlamaçada
Sentir-se em pranto desta sede
Um novo arder
Lacrimejando o próprio sal
E saliva
Escapa um pouco, rouco
Meu nado, desejo
E querer um não olhar
fugir daquele medo
Desejo
Formigação da pele
em troca de escamas
Cheiro de pimenta arde
Embalado em cor e música
Embalados de nós
Tão sós, tão juntos
Em poucos, muitos
Em todo corpo e pouca voz
Suores na noite
Luares, lua
Frios calafrios
Quente muito quente
O sol está vermelho
latente
lado
Meus pés, passos
mal dados ou não
caminham
Procuro esses mesmos
E por onde seguir sem os teus
Aqui, do lado
Procuro um pé, uma perna, um corpo
Que não sejam os meus
desconhecidos e
desencontrados
vai assim
assim como quem busca
bons e largos passos
que vai de um lado ao outro
mais rápido do que queremos esperar
Procurar a estradinha
Do passinho manso
Daquela cadeira antiga da vovó
De balanço
busca, corre lá
Passa para próxima viagem
de montanha e espaço
O meio, o dentro
um percorrer sedento
de um encontro caminhada
meu amor, minha morada
mal dados ou não
caminham
Procuro esses mesmos
E por onde seguir sem os teus
Aqui, do lado
Procuro um pé, uma perna, um corpo
Que não sejam os meus
desconhecidos e
desencontrados
vai assim
assim como quem busca
bons e largos passos
que vai de um lado ao outro
mais rápido do que queremos esperar
Procurar a estradinha
Do passinho manso
Daquela cadeira antiga da vovó
De balanço
busca, corre lá
Passa para próxima viagem
de montanha e espaço
O meio, o dentro
um percorrer sedento
de um encontro caminhada
meu amor, minha morada
maçã
Poderia falar de tudo em tantas vozes
Seria mil outras, mil umas, seria tão várias quanto realmente sou
Falaria em demasia do amor que guardo tanto e sempre
falaria daquela pequena maçã
de ser mordida, saboreada de dentro pra fora do vermelho ao branco
Sairia correndo pelas ruas gritando pelo ardente pulsar
viajaria em estradas de curvas perigosas, tocaria todas as crianças e instrumentos,
daria pulos
Passaria a chuva
Que limpa
desliza, engasga, afasta e traz
para aqui uma nova possibilidade
Ser qualquer uma, qualquer sua, ser todas e nenhuma
estrelas correndo das nuvens desavisadas
do trovão e trovoada
de uma espera e fé
em cada esquina povoada
Vamos então vamos correr
vamos ouvir, olhar, gostar o viver
Aquilo que pode ou não
Apenas aquilo que é
Agora
um agora percorrido e desejado
um broto bruto em busca de sol e semente
em busca de nós, todos nós em nós
emaranhados
eu em busca de mim
Seria mil outras, mil umas, seria tão várias quanto realmente sou
Falaria em demasia do amor que guardo tanto e sempre
falaria daquela pequena maçã
de ser mordida, saboreada de dentro pra fora do vermelho ao branco
Sairia correndo pelas ruas gritando pelo ardente pulsar
viajaria em estradas de curvas perigosas, tocaria todas as crianças e instrumentos,
daria pulos
Passaria a chuva
Que limpa
desliza, engasga, afasta e traz
para aqui uma nova possibilidade
Ser qualquer uma, qualquer sua, ser todas e nenhuma
estrelas correndo das nuvens desavisadas
do trovão e trovoada
de uma espera e fé
em cada esquina povoada
Vamos então vamos correr
vamos ouvir, olhar, gostar o viver
Aquilo que pode ou não
Apenas aquilo que é
Agora
um agora percorrido e desejado
um broto bruto em busca de sol e semente
em busca de nós, todos nós em nós
emaranhados
eu em busca de mim
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